sábado, 7 de julho de 2012

Um Até Breve...

Há bastante tempo que pensava no que devia fazer em relação a este Blog e finalmente decidi-me.

Por vários motivos, decidi que o Cupido Fanfarrão vai mesmo encerrar. O Blog continuará aberto para quem quiser visitar e ler os textos. Não fiquem preocupados porque me despeço num bom momento da minha vida, estou feliz, de bem com a vida e de bem com o amor... 

Obrigada por tudo e obrigada a algumas amizades que consegui fazer.

Beijos fanfarrões para todos e sejam felizes!!!!
        __________________________________________________________________________


P.S. Especial: Para o Meu Amor,

Tens razão, foi aqui que tudo começou... e não fazia a mínima ideia que ficasses tão triste por parar de publicar aqui. Como já te disse, em várias ocasiões, ando um pouco cansada do mundo virtual e prefiro ficar no meu canto, no nosso canto, quieta, sossegada e em paz. Demoro para tomar decisões mas quando as tomo é para não voltar atrás. Tu já tens o melhor de mim (e o pior também) e isso não vai parar. Pouco a pouco as coisas estão a organizar-se e irei voltar para a Blogosfera mas de forma diferente... 
Princesa, irei sempre cuidar de ti, de te mimar, de te abraçar e de brincar com os teus caracóis. Sou feliz contigo e isso é que importa. Quero-te apoiar nesta fase que passas e quero pensar nas próximas fases que serão muito melhores, tenho a certeza. Temos tanta coisa para fazer, tanto para viver e tanto por cumprir...

Beijo daqueles só nossos e descansa que não vais ficar sem miminhos .

Amo-te muito *;* 



segunda-feira, 25 de junho de 2012

Uma saudade boa...

Já por várias vezes me fizeram a mesma pergunta e eu respondo sempre da mesma maneira: Dói muito... mas depois passa. Porém, a saudade fica para sempre. E todos os dias me lembro de ti, das nossas discussões sobre política, das histórias de como a família sofreu com a PIDE, de como me fulminavas com o teu olhar quando eu dizia uma asneira ou como os teus olhos brilhavam quando estavas feliz e ficavam num verde tão claro... E ainda dizem que tenho uns olhos bonitos mas isso é porque nunca viram os teus... A verdade é que realmente tenho saudades de ti e cada vez me apercebo mais de como estou a ficar igual a ti, como reajo quando alguém me desilude ou como ajudo de quem gosto, no andar, as mãos sempre nos bolsos, de chorar quando me rio... em tantas coisas. Hoje era um dia que terias orgulho de mim e em como estou a ultrapassar as barreiras, na minha perseverança, no querer fazer melhor e não desistir.


E este post também é para ti e por tudo o que estás a passar neste momento... sei como é difícil acompanhar uma doença em que a pessoa que mais amamos morre um pouco todos os dias, em como nunca sabemos quando será o último dia, em que cada gemido de dor é um susto e um acelerar no nosso coração... e o que te posso dizer é o mesmo que te disse várias vezes. Vai custar e doer imenso, por mais que esperamos o momento nunca estamos preparados... mas depois tudo passa e há um certo alivio pelo acabar do sofrimento e pela paz que finalmente essa pessoa encontrou.

Sê forte porque um dia a paz vai chegar e a saudade (boa) para sempre irá ficar...


domingo, 17 de junho de 2012

Para as coisas importantes, nunca é tarde demais, ou no meu caso, muito cedo, para sermos quem queremos. Não há um limite de tempo, comece quando quiser. Você pode mudar ou não. Não há regras. Espero que você faça o melhor, espero que veja as coisas que a assustam, espero que sinta coisas que nunca sentiu antes, espero que conheça pessoas com diferentes opiniões, espero que viva uma vida da qual se orgulhe. E se você achar que não, espero que tenha a força para começar novamente.

 O Estranho Caso de Benjamin Button

sábado, 16 de junho de 2012



...mas na cabeça de alguns, a minha vida é mais interessante ainda...

domingo, 10 de junho de 2012

Apetece-me...


“Apetece-me ir para junto de ti.
Agora. Neste instante. Sem mais demoras.
Apetece-me tanto ir para junto de ti.
Assim, num piscar de olhos. Num bater de dedos.
Apetece-me tanto cobrir-te os ombros de beijos, passar os lábios pelo teu pescoço e segredar-te ao ouvido palavras de afecto.
Vou aproveitar também para te revelar segredos recuperados, contar-te histórias com final feliz, cantar-te baladas de amores mantidos secretos, murmurar-te viagens a fazer, relatar-te sonhos tidos quando descansei junto a ti, e tudo isto com a lucidez de quem reconhece no teu olhar a existência de perguntas por fazer.
Como me apetece ir para junto de ti !
Não te preocupes que não precisas de te desculpar pela desarrumação do teu quarto.
Eu ajudo-te a amontoar as roupas e os livros aos pés da cama para poder deitar-me ao teu lado e descansar da viagem.
Apetece-me tanto ir para junto de ti.
Abraçar-te até que nada mais faça sentido senão tomar-te os lábios e construir um beijo, demorado e sentido, como tudo aquilo que é feito para resgatar emoções no tempo.
Por vezes, a minha vontade de estar contigo é tão grande que me deito no chão, fixo os olhos no tecto e deixo-me transportar numa mistura de sonhos e realidade, ali onde o que desejo se confunde com aquilo que sinto.
Sabes uma coisa ?
Apetece-me tanto ir para junto de ti que sou mesmo capaz de o fazer.
Agora. Neste instante. Sem mais demoras.
E sabes porquê ?
Porque percebi que se não faço o que quero, acabo sempre por fazer o que não quero.
E eu quero muito estar agora junto de ti !”

José Micard Teixeira

domingo, 3 de junho de 2012

Pensamento


O pensamento tem poder infinito.
Ele mexe com o destino, acompanha a sua vontade.
Ao esperar o melhor, você cria uma expectativa positiva que detona o processo de vitória.
Ser otimista é ser perseverante, é ter uma fé inabalável e uma certeza sem limites de que tudo vai dar certo.
Ao nascer o sentimento de entusiasmo, o universo aplaude tal iniciativa e conspira a seu favor, colocando-o a serviço da humanidade.
Você é quem escreve a história de sua vida - ao optar pelas atitudes construtivas - você cresce como ser humano e filho dileto de DEUS.
Positivo atrai positivo.
Alegria chama alegria.
Ao exalar esse estado otimista, nossa consciência desperta energias vitais que vão trabalhar na direcção de suas metas. 
Seja incansavelmente otimista. Faz bem para o corpo, para a mente e para a alma.
É humano e natural viver aflições, só não é inteligente conviver com elas por muito tempo.
Seja mais paciente consigo mesmo, saiba entender suas limitações.
Sem esforço não existe vitória.
Ao escolher com sabedoria viver sua vida com otimismo, seu coração sorri, seus olhos brilham e a humanidade agradece por você existir.

Pablo Neruda

domingo, 20 de maio de 2012



A Taça é Nossa!!!!!!!

Impossível é não teres voz...

O único impossível é o que julgarmos que não somos capazes de construir. Temos mãos e um número sem fim de habilidades que podemos fazer com elas. Nenhum desses truques é deixá-las cair ao longo do corpo, guardá-las nos bolsos, estendê-las à caridade. Por isso, não vamos pedir, vamos exigir. Havemos de repetir as vezes que forem necessárias: temos direito a viver. Nunca duvidámos de que somos muito maiores do que o nosso currículo, o nosso tempo não é um contrato a prazo, não há recibos verdes capazes de contabilizar aquilo que valemos.

Vida, se nos estás a ouvir, sabe que caminhamos na tua direcção. A nossa liberdade cresce ao acreditarmos e nós crescemos com ela e tu, vida, cresces também. Se te quiserem convencer, vida, de que é impossível, diz-lhe que vamos todos em teu resgate, faremos o que for preciso e diz-lhes que impossível é negarem-te, camuflarem-te com números, diz-lhes que impossível é não teres voz.

José Luís Peixoto, in 'Abraço'

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Me Encante...

Me encante da maneira que você quiser, como você souber.
Me encante, para que eu possa me dar...

Me encante nos mínimos detalhes.
Saiba me sorrir: aquele sorriso malicioso,
Gostoso, inocente e carente.

Me encante com suas mãos,
Gesticule quando for preciso.
Me toque, quero correr esse risco.

Me acarinhe se quiser...
Vou fingir que não entendo,
Que nem queria esse momento.

Me encante com seus olhos...
Me olhe profundo, mas só por um segundo.
Depois desvie o seu olhar.
Como se o meu olhar,
Não tivesse conseguido te encantar...

E então, volte a me fitar.
Tão profundamente, que eu fique perdido.
Sem saber o que falar...

Me encante com suas palavras...
Me fale dos seus sonhos, dos seus prazeres.
Me conte segredos, sem medos,
E depois me diga o quanto te encantei.

Me encante com serenidade...
Mas não se esqueça também,
Que tem que ser com simplicidade,
Não pode haver maldade.

Me encante com uma certa calma,
Sem pressa. Tente entender a minha alma.

Me encante como você  fez com o seu primeiro namorado...
Sem subterfúgios, sem cálculos, sem dúvidas, com certeza.

Me encante na calada da madrugada,
Na luz do sol ou embaixo da chuva....

Me encante sem dizer nada, ou até dizendo tudo.
Sorrindo ou chorando. Triste ou alegre...
Mas, me encante de verdade, com vontade...

Que depois, eu te confesso que me apaixonei,
E prometo te encantar por todos os dias...
Pelo resto das nossas vidas!!!

Pablo Neruda

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Parabéns Deh

A minha querida amiga está de Parabéns. O seu cantinho completou 1 ano de existência. Um Blog sem tabus, delicioso e que vale a pena visitar. Começamos esta aventura juntas e aqui continuamos. Desejo-te tudo de bom minha querida e que a gente continue na Blogosfera por muitos anos. Obrigada pelo carinho e pelo apoio.

terça-feira, 1 de maio de 2012

O Mundo não se Fez para Pensarmos Nele...

O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de, vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...

Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo...

Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender ...

O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...

Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar ...
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar...

Alberto Caeiro, in "O Guardador de Rebanhos - Poema II"

domingo, 22 de abril de 2012

Um abraço apertado...

Até abraçar desaprendemos. Ninguém mais abraça com vontade. Com sinceridade de velório. Odeio abraço falso, como aquele beijo de frígida, no qual a face bate na face e os lábios se transformam em beiço. Abraço tem que ter pegada, jeito, curva. Aperto suave, que pode virar colo. Alento tenso, que pode virar despedida. É pelo abraço que testo o carácter do outro. Não confio em quem logo dá tapinhas nas costas. A rapidez dos toques indica a maldade da criatura. Não sou porta para bater. Nem madeira para espantar azar. Abraço com toquinho é hipócrita. É abraço de Judas. De traidor. O sujeito mal encosta a pele e quer se afastar. Pede espaço porque não suporta os pecados dos pensamentos.Devemos fechar os olhos no abraço, respirar a roupa do abraçado, descobrir o perfume e a demora no banho. Abraço não pode ser rápido senão é empurrão. Requer cruzamento dos braços e uma demora do rosto no linho. Abraço é para atravessar o nosso corpo. Ir para a margem oposta. Nadar para ilha e subir ao topo da pedra pela gratidão de sopro. Sou adepto a inventar abraços. Criar abraços. Inaugurar abraços. Realizar um dicionário de abraços. Um idioma de abraços. O meu é o de cadeira de balanço. Giro nas pontas dos pés. Não largo, os primeiros minutos são para sufocar, os demais servem para o enlaçado se recuperar do susto. Não entendo onde terminará o abraço. Se a pessoa vai chorar ou vai rir. Abraço é confissão. Dez minutinhos de sol e de liberdade.
Fabricio Carpinejar

segunda-feira, 2 de abril de 2012

❤❤❤ Para Vocês ❤❤❤



Obrigada pelas mais de 20.000 Visitas,
Obrigada aos 51 seguidores e a todos que passam por cá,
Obrigada pelas 185 publicações,
Obrigada por Um Ano de Cupido Fanfarrão...
 

UM BEIJO HIPER FANFARRÃO a todos

domingo, 25 de março de 2012

O Amor é...

 O amor é o início. O amor é o meio. O amor é o fim. O amor faz-te pensar, faz-te sofrer, faz-te agarrar o tempo, faz-te esquecer o tempo. O amor obriga-te a escolher, a separar, a rejeitar. O amor castiga-te. O amor compensa-te. O amor é um prémio e um castigo. O amor fere-te, o amor salva-te, o amor é um farol e um naufrágio. O amor é alegria. O amor é tristeza. É ciúme, orgasmo, êxtase. O nós, o outro, a ciência da vida.
O amor é um pássaro. Uma armadilha. Uma fraqueza e uma força.
O amor é uma inquietação, uma esperança, uma certeza, uma dúvida. O amor dá-te asas, o amor derruba-te, o amor assusta-te, o amor promete-te, o amor vinga-te, o amor faz-te feliz.
O amor é um caos, o amor é uma ordem. O amor é um mágico. E um palhaço. E uma criança. O amor é um prisioneiro. E um guarda.
Uma sentença. O amor é um guerrilheiro. O amor comanda-te. O amor ordena-te. O amor rouba-te. O amor mata-te.
O amor lembra-te. O amor esquece-te. O amor respira-te. O amor sufoca-te. O amor é um sucesso. E um fracasso. Uma obsessão. Uma doença. O rasto de um cometa. Um buraco negro. Uma estrela. Um dia azul. Um dia de paz.
O amor é um pobre. Um pedinte. O amor é um rico. Um hipócrita, um santo. Um herói e um débil. O amor é um nome. É um corpo. Uma luz. Uma cruz. Uma dor. Uma cor. É a pele de um sorriso.

Joaquim Pessoa, in 'Ano Comum'

quinta-feira, 15 de março de 2012

Up side down ===========> and Out


(a precisar de Paz e de Silêncio)

domingo, 26 de fevereiro de 2012

O Amor é Mais Forte

Os amantes de hoje preferem a droga mais leve, o tabaco mais light ou o café descafeinado. Já ninguém quer ficar pedrado de amor ou sofrer de uma overdose de paixão. As emoções fortes são fracas e as próprias fraquezas revelam-se mais fortes. Os amantes, esses, são igualmente namorados da monotonia e amigos íntimos da disciplina. O que está fora de controlo causa-lhes confusão, e afecta-lhes uma certa zona do cérebro, mas quase nunca lhes toca o coração. O amor devia ser sonhado e devia fazê-los voar; em vez disso é planeado, e quanto muito, fá-los pensar.
Sobre o amor não se tem controlo. É um sentimento que nos domina, que nos sufoca e que nos mata. Depois dá-nos um pouco vida. No amor queremos viver, mas pouco nos importa morrer e estamos sempre dispostos a ir mais além. Deixamo-nos cair em tentação, e não nos livramos do mal, embora procuremos o bem. No amor também se tem fé, mas não se conhecem orações: amamos porque cremos, porque desejamos e porque sabemos que o amor existe. Amamos sem saber se somos amados, e por isso podemos acabar desolados, isolados e deprimidos. Que se lixe! O amor não é justo, não é perfeito; no amor não se declaram sentenças nem se proferem comunicados. O amor prefere ser imprevisível, cheio de riscos e de fogo cruzado. No amor os braços não se cruzam, as palavras não se gastam e os gestos servem para o demonstrar. Amar também é lutar, e enfrentar monstros fabulosos com cabeça de leão, corpo de cabra e cauda de dragão. É uma ilusão, um sonho, um absurdo e uma fantasia. O amor não se entende, não se interpreta, não se discerne nem se traduz. Quem ama acredita, mas não sabe bem porquê, não sabe bem o quê, nem percebe bem como.

Rogério Fernandes, in 'Alterne Activo'

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

For an angel...

Na tua pele toda a terra treme
alguém fala com Deus alguém flutua
há um corpo a navegar e um anjo ao leme.

Das tuas coxas pode ver-se a Lua
contigo o mar ondula e o vento geme
e há um espírito a nascer de seres tão nua...
Manuel Alegre

Tiê


segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Um Pedido Especial...

"...Os encontros mais importantes já foram combinados pelas almas antes mesmo que os corpos se vejam...."

Paulo Coelho

domingo, 29 de janeiro de 2012

"Mas de tudo isso, me ficaram coisas tão boas... Uma lembrança boa de você, uma vontade de cuidar melhor de mim, de ser melhor para mim e para os outros.
De não morrer, de não sufocar, de continuar sentindo encantamento por alguma outra pessoa que o futuro trará, porque sempre traz, e então não repetir nenhum comportamento.
Ser novo."

Caio Fernando Abreu
( e isso é um grande problema)

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Antes que seja Tarde

Amigo,
tu que choras uma angústia qualquer
e falas de coisas mansas como o luar
e paradas
como as águas de um lago adormecido,
acorda!
Deixa de vez
as margens do regato solitário
onde te miras
como se fosses a tua namorada.
Abandona o jardim sem flores
desse país inventado
onde tu és o único habitante.
Deixa os desejos sem rumo
de barco ao deus-dará
e esse ar de renúncia
às coisas do mundo.
Acorda, amigo,
liberta-te dessa paz podre de milagre
que existe
apenas na tua imaginação.
Abre os olhos e olha,
abre os braços e luta!
Amigo,
antes da morte vir
nasce de vez para a vida.
Manuel da Fonseca, in "Poemas Dispersos"

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Não Podemos Ter a Certeza de Nada

Somos todos iguais na fragilidade com que percebemos que temos um corpo e ilusões. As ambições que demorámos anos a acreditar que alcançávamos, a pouco e pouco, a pouco e pouco, não são nada quando vistas de uma perspectiva apenas ligeiramente diferente. Daqui, de onde estou, tudo me parece muito diferente da maneira como esse tudo é visto daí, de onde estás. Depois, há os olhos que estão ainda mais longe dos teus e dos meus. Para esses olhos, esse tudo é nada. Ou esse tudo é ainda mais tudo. Ou esse tudo é mil coisas vezes mil coisas que nos são impossíveis de compreender, apreender, porque só temos uma única vida.
— Porquê, pai?
— Não sei. Mas creio que é assim. Só temos uma única vida. E foi-nos dado um corpo sem respostas. E, para nos defendermos dessa indefinição, transformámos as certezas que construímos na nossa própria biologia. Fomos e somos capazes de acreditar que a nossa existência dependia delas e que não seríamos capazes de continuar sem elas. Aquilo em que queremos acreditar corre no nosso sangue, é o nosso sangue. Mas, em consciência absoluta, não podemos ter a certeza de nada. Nem de nada de nada, nem de nada de nada de nada. Assim, repetido até nos sentirmos ridículos. E sentimo-nos ridículos muitas vezes e, em cada uma delas, a única razão desse ridículo é não conseguirmos expulsar da nossa biologia, do nosso sangue, dos nossos órgãos, essas certezas injustificadas, ou justificadas por palavras sempre incompletas. Mas é bom que seja assim. Porque podemos continuar e, enquanto continuamos, continuamos. Estamos vivos. Ou acreditamos que estamos vivos, o que é, talvez, a mesma coisa.
— Porquê, pai?
— Porque o amor, filho.

José Luís Peixoto, in 'Abraço'

sábado, 7 de janeiro de 2012

Exposição fotográfica sobre Frida Kahlo

Exposição patente de 4 de Novembro de 2011 a 29 de Janeiro de 2012, no Pavilhão Preto do Museu da Cidade.
A Casa da América Latina traz a Lisboa uma selecção de 257 fotografias das 6.500 que compõem o acervo da Casa Azul/Museu Frida Kahlo numa exposição intitulada “Frida Kahlo - As Suas Fotografias”. Esta é a primeira apresentação internacional da exposição que pode ser visitada de 4 de Novembro de 2011 a 29 de Janeiro de 2012, no Pavilhão Preto do Museu da Cidade (Campo Grande, 245).
“Frida Kahlo - As Suas Fotografias”, apresentada pelo Museu Frida Kahlo em 2010, exibe um conjunto significativo de fotografias que serviram à pintora mexicana como recordação, ferramenta de trabalho ou como forma de exorcizar a solidão. Esta mostra, com curadoria de Pablo Ortiz Monasterio, reconhecido fotógrafo e historiador da fotografia no México, ilustra a importância deste meio artístico na vida da pintora.
Esta exposição que mostra uma série de fotografias que pertenciam ao acervo pessoal da artista, na sua maioria desconhecidas, divide-se em seis núcleos: Os Pais: Guillermo e Matilde; A Casa Azul; O Corpo Acidentado; Os Amores de Frida; A Fotografia e a Luta Política. Não se pretende apresentar uma cronologia da vida e obra de Frida Kahlo, mas antes, mostrar pedaços da sua história pessoal e da sua intimidade, de um país e de uma época, permitindo também descobrir novas facetas de uma das personalidades mais complexas e enigmáticas do século XX.
O valor das imagens como testemunho histórico é inegável, mas também o é pela presença de olhares de outros fotógrafos de renome que a fotografaram e se podem encontrar nesta exposição: Man Ray, Martin Munkácsi, Fritz Henle, Adward Weston, Brassai, Tina Modotti, Pierre Verger, Lola y Manuel Álvarez, entre outros... ( clicar aqui)