quinta-feira, 2 de junho de 2011

Felicidade com Poucos Bens

less is more
Embora a experiência me tenha ensinado que se descobrem homens felizes em maior proporção nos desertos, nos mosteiros e no sacrifício do que entre os sedentários dos oásis férteis ou das ilhas ditas afortunadas, nem por isso cometi a asneira de concluir que a qualidade do alimento se opusesse à natureza da felicidade. Acontece simplesmente que, onde os bens são em maior número, oferecem-se aos homens mais possibilidades de se enganarem quanto à natureza das suas alegrias: elas, efectivamente, parecem provir das coisas, quando eles as recebem do sentido que essas coisas assumem em tal império ou em tal morada ou em tal propriedade. Para já, pode acontecer que eles, na abastança, se enganem com maior facilidade e façam circular mais vezes riquezas vãs. Como os homens do deserto ou do mosteiro não possuem nada, sabem muito bem donde lhes vêm as alegrias e é-lhes assim mais fácil salvarem a própria fonte do seu fervor.

Antoine de Saint-Exupéry, in "Cidadela"

2 comentários:

Labios de Mel disse...

É verdade que os bens materiais nos proporcionam bem-estar: é necessário que tínhamos comida para nos alimentarmos. Mas a felicidade não advém literalmente dos bens materiais.
Com efeito, a felicidade tem muito a ver com o vazio ou a plenitude do nosso ser e, por consequência, de nossas vidas no seu sentido mais profundo. A felicidade tem que transbordar de nós próprios ao nos darmos aos outros: a generosidade na amizade, a ajuda ao desvalido, o apoio nos momentos difíceis, a compreensão do outro torna-nos mais felizes e esperançosos!

Beijinhos cheios de felicidade :)

Daniela disse...

Exactamente, e por terem pouco, estes "homens no deserto" não se deslumbrarão com a abundancia e darão valor às pequenas coisas e aos pequenos gestos. Bjs Lábios de Mel