terça-feira, 12 de julho de 2011

O teu Riso

adoro o teu sorriso, o teu riso, como me fazes soltar gargalhadas mesmo "naqueles" momentos...
Tira-me o pão, se quiseres,
tira-me o ar, mas não
me tires o teu riso.

Não me tires a rosa,
a lança que desfolhas,
a água que de súbito
brota da tua alegria,
a repentina onda
de prata que em ti nasce.

A minha luta é dura e regresso
com os olhos cansados
às vezes por ver
que a terra não muda,
mas ao entrar teu riso
sobe ao céu a procurar-me
e abre-me todas
as portas da vida.

Meu amor, nos momentos
mais escuros solta
o teu riso e se de súbito
vires que o meu sangue mancha
as pedras da rua,
ri, porque o teu riso
será para as minhas mãos
como uma espada fresca.

À beira do mar, no outono,
teu riso deve erguer
sua cascata de espuma,
e na primavera, amor,
quero teu riso como
a flor que esperava,
a flor azul, a rosa
da minha pátria sonora.

Ri-te da noite,
do dia, da lua,
ri-te das ruas
tortas da ilha,
ri-te deste grosseiro
rapaz que te ama,
mas quando abro
os olhos e os fecho,
quando meus passos vão,
quando voltam meus passos,
nega-me o pão, o ar,
a luz, a primavera,
mas nunca o teu riso,

porque então morreria.

Pablo Neruda

3 comentários:

Maria disse...

Adoro este poema.. é lindo lindo.. :)

Um Doce no Coração disse...

Belissimo...mais um de Pablo que adoro imenso:)

"Tira-me o pão, se quiseres,
tira-me o ar, mas não
me tires o teu riso."

É sempre bom reler...obrigada, meu cupido lindo, pela partilha:)

Beijinhos de mel

Daniela disse...

Pablo Neruda é um dos meus poetas preferidos, a forma como escreve sobre a Mulher e o Amor é fantástica.

E como eu adoro ver este riso :P

Bjs fanfarrões para as Meninas e fiquem bem :D